"A competência colocada em todos e quaisquer projectos por si desenvolvidos, nos domínios histórico-museológico, expositivo e editorial, bem como a facilidade com que estabelecia relações interpessoais, determinaram ainda o êxito da sua prestação."Servir a história dos bombeiros portugueses, abraçando a sua apaixonante multidisciplinariedade, é apenas condição de alguns, daí que deverá caber-lhes o compromisso acrescido de fomentar práticas que levem ao gosto pelo saber.
No entanto parece que são cada vez menos os militantes dessa causa, vista com desdém por alegada erudição e saudosismo na descoberta e tratamento de factos do passado.
Vêm estas palavras introdutórias a propósito do recente desaparecimento de uma figura que sentiu e viveu a história dos bombeiros de modo peculiar: Victor Manuel Nogueira Neto (1942-2024), na foto, à direita.
Acostumado ao sector dos Bombeiros, em virtude de trabalhar na Sociedade Comercial Romar, no limiar da segunda metade dos anos 70, foi convidado a ocupar o cargo de Conservador do Museu Júlio Cardoso, da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), através do Comandante Carlos Alberto Serra e Moura, dos Bombeiros Voluntários de Lisboa, seu colega de profissão e que exercia as funções de Secretário Técnico da Confederação.
Se bem nos lembramos, o primeiro contacto de Victor Neto com a realidade da LBP aconteceu há pouco mais de 50 anos, quando da realização do 20.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, convocado para o período de 28 de Setembro a 1 de Outubro de 1972, na cidade de Viseu.
Interessado pela história em geral e por quase tudo que envolvesse artes e cultura, entregou-se de alma e coração à missão que lhe foi confiada, criando dinâmica e pontes de colaboração, o que, a título de exemplo, influenciou o crescimento da colecção museológica pertencente à Liga dos Bombeiros Portugueses.
Cedo assumiu o papel de guardião da história, passando a ser, pelos seus consideráveis conhecimentos, um responsável notado e muito solicitado para organizar eventos e produzir conteúdos específicos.
A competência colocada em todos e quaisquer projectos por si desenvolvidos, nos domínios histórico-museológico, expositivo e editorial, bem como a facilidade com que estabelecia relações interpessoais, determinaram ainda o êxito da sua prestação.
Defensor da profundidade e do rigor da história, assumiu muitas vezes posições críticas, sendo injustamente incompreendido nos pontos de vista que apresentava.
Em algumas circunstâncias, o seu mérito poderia ter merecido melhor correspondência, pois que lhe assistia, sempre, a intenção de ver elevado o bom nome dos bombeiros portugueses e respeitadas as suas nobres tradições.
Também coleccionador, e muito selectivo no género de peças reunidas, aplicou-se em todas as formas de preservar e divulgar a memória histórica da Instituição-Bombeiros.
Victor Neto fez e deixou história, nomeadamente, registada em livro.
Pela incidência da sua acção cívica e cultural durante longos anos, o seu nome não só é merecedor de elogiosa referência como de figurar entre os mais admirados investigadores da temática "Bombeiros e Incêndios", que assim intitulava e da qual foi distinto especialista.
Luís Miguel Baptista
Jornalista
lmb.fogo.historia@gmail.com

"Velhos são os trapos" - Eis um dos provérbios portugueses que nos parece adequado para intitular a nossa referência ao que aconteceu no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede (BVC), quando a depressão Kristin passou recentemente por Portugal continental. Pois bem, a "Maria Regina", nome de baptismo atribuído à viatura aqui retratada, serviu de salvação ao Corpo de Bombeiros, garantindo parte da integridade das instalações e sobretudo de quem nelas se encontrava de serviço na noite da tempestade.


