
Eis um dos provérbios portugueses que nos parece adequado para intitular a nossa referência ao que aconteceu no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede (BVC), quando a depressão Kristin passou por Portugal continental. Pois bem, a "Maria Regina", nome de baptismo atribuído à viatura aqui retratada, serviu de salvação ao Corpo de Bombeiros, garantindo parte da integridade das instalações e sobretudo de quem nelas se encontrava de serviço na noite da tempestade.
Em poucas palavras, perante o vento ciclónico que ameaçava forçar a porta comunicante entre o exterior e o átrio principal do quartel-sede, bem como o risco de colapso da estrutura envidraçada que vale de fachada ao edifício, o pessoal de piquete, lesto, só viu uma solução: empurrar o histórico pronto-socorro contra a mencionada porta, uma vez ali exposto. E assim evitou o pior.
Na noite de todos os estragos, o velho Ford, de 1930 (ano de fabrico), primeiro veículo motorizado dos BVC, de repente voltou a ser útil.
Abatido ao efectivo há muitos anos, para ser preservado como peça museológica, viu agora o seu valor ainda mais acrescentado.
Já não sendo imaginável que pudesse ter de novo qualquer protagonismo no plano da protecção de pessoas e bens, a verdade é que o modelo AA, da famosa marca automóvel norte-americana, presente na vida dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede há 93 anos, não os deixou ficar mal, impondo-se como outrora e fazendo reviver toda uma história gloriosa.
Carroçado numa oficina na Mealhada, foi adquirido em 1932 e inaugurado no ano seguinte.
De acordo com os critérios adoptados na época, transportava 9 bombeiros, compondo-se o seu equipamento de seis lanços de escadas de molas, duas escadas de ganchos, uma moto-bomba portátil da marca Magirus, corpos chupadores, mangueiras, agulhetas e material de sapador.
Considerado veículo de interesse histórico, desde 2022, pelo ACP Clássicos, constitui um peso-pesado por demais demonstrado, quer na sua antiguidade quer na acção.
Resistente a toda a prova, e porque a entrada nobre é o seu posto, por ali vai continuar em exposição, a partir de agora, também, como verdadeira muralha de aço.

Pesquisa/Texto: Redacção F&H
Fotos: Bombeiros Voluntários de Cantanhede (gentilmente cedidas)
Agradecemos a colaboração do Comandante José Oliveira.


