Arvoramento de Natal - Ano após ano, as iluminações de Natal fazem parte da paisagem humanizada, aclarando com todo o simbolismo a esperança de um mundo melhor. Sendo esta a maior das aspirações da humanidade e também, por analogia, da missão dos bombeiros, não é de estranhar a presença, na foto artística e documental destacada, da autoria de Arnaldo Madureira, de um veículo de socorro a apoiar trabalhos em luminárias.
"Um projecto dessa natureza pode e deve, inclusive, compreender uma abordagem multidisciplinar, porquanto Sintra mantém relação muito estreita e peculiar com a história dos bombeiros portugueses."
Pesquisa/Texto: Redacção F&H Fotos: Arquivo Municipal de Oeiras
O voluntariado nos Bombeiros está instituído em Portugal desde 1868 (fundação da Companhia de Voluntários Bombeiros, actuais Bombeiros Voluntários de Lisboa), mas há quem pareça decidido a castigá-lo através da falta de incentivos. O assunto não é novo. Motiva, aliás, há muitos anos, análise e discussão no seio do sector. Em 1972, o prestigiado Comandante Augusto Madureira, dos Bombeiros Voluntários de Algés (BVA), indagado pela imprensa, colocava o dedo na ferida, afirmando e, assim, parecendo antever o futuro: "O problema é grave, mesmo dramático, e não sei bem ao certo (embora já o possa prever) qual será o amanhã desta e doutras corporações similares, quando os quadros activos dos 'quarenta e picos' deixarem de exercer o seu contributo eficaz. Será o caos, a morte trágica de um sonho maravilhoso que os homens e as suas contradições, tão levianamente estão a destruir."
O nascimento de bebés em ambulâncias dos bombeiros é sempre um facto noticioso, pelo seu impacto invulgar. E, nos últimos tempos, mais ainda, por razões diferenciadas das habituais que se prendem com o sério problema da escassez de recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde. Crê-se que os bombeiros portugueses nunca tenham efectuado, num só ano, tantos partos. Para memória futura, em 2025, mais de 60 bebés nasceram fora das maternidades. Um autêntico regresso ao passado, conforme nos sugere a história que recuperamos, ocorrida há 81 anos.
Pesquisa/Texto: Redacção F&H Fotos: Fundação Mário Soares/Arquivo Mário Soares e José Manuel/Museu da Presidência da República
Maria Barroso (1925-2015), destacada figura da sociedade portuguesa, assumiu a prática da solidariedade como um modo permanente de estar na vida. Decorrendo até 2 de Maio de 2026 as comemorações do centenário do seu nascimento, esta efeméride motiva-nos a destacar um momento e também testemunho da sua assinalável dedicação às causas humanas e sociais, que lhe valeu ser condecorada com a Medalha de Serviços Distintos, Grau Ouro, da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
Tempos houve em que os congressos dos bombeiros portugueses se revestiam de especial interesse. Intensos, com substância, assumiam o carácter de verdadeiras jornadas de exaltação da classe, a ponto de os próprios intervalos das sessões de trabalho não permitirem descanso aos participantes. Foi o que aconteceu na Covilhã, durante o III Congresso Nacional de Bombeiros, convocado para o período de 21 a 25 de Julho de 1932, onde curiosa e sucessiva deflagração de incêndios na cidade provocou a mobilização espontânea de bombeiros/congressistas, que acorreram aos locais afectados seguindo à risca o lema "Um por todos e todos por um".
Sempre atento ao mundo à sua volta, pouco tempo antes de falecer, Vitorino Nemésio (1901-1978) dissertava aos microfones da Radiodifusão Portuguesa (RDP) sobre os incêndios florestais ocorridos em Portugal. Vale a pena ouvir o registo disponibilizado pela RTP Arquivos.
Um olhar crítico sobre história recente, versando factos frequentes que parecem apagados da memória, mais por inoperância dos homens do que pelo efeito do tempo fugaz.
O drama dos incêndios florestais de 2025 levantou polémica na vida nacional e até fez com que fosse avivada a memória colectiva, de modo viral, nas redes sociais. A propósito de opções e atitudes políticas tomadas no momento, voltaram a fazer sensação imagens televisivas, de 1980, onde a certa altura surge o então Presidente da República, General António Ramalho Eanes, a apoiar o combate a um incêndio, na Lousã. Desperto pela insistência da sua lembrança no panorama comunicacional, FOGO & HISTÓRIA pesquisou o facto ocorrido há 45 anos, à luz do conceito de acontecimento, e aborda-o, exclusivamente, do ponto de vista do socorro e das condições de trabalho dos bombeiros.
Portugal vive dias difíceis. O verão de 2025 ficará marcado como um dos mais negros da nossa memória recente, com mais de 2% do território nacional reduzido a cinzas. A cada chama que avança, sentimos que a História regressa - não como lição, mas como maldição. E se recuarmos no tempo, percebemos que os grandes incêndios sempre acompanharam a trajetória deste país, como uma sombra persistente que nos recorda a nossa fragilidade diante da natureza e da imprevidência humana.