Arvoramento de Natal - Ano após ano, as iluminações de Natal fazem parte da paisagem humanizada, aclarando com todo o simbolismo a esperança de um mundo melhor. Sendo esta a maior das aspirações da humanidade e também, por analogia, da missão dos bombeiros, não é de estranhar a presença, na foto artística e documental destacada, da autoria de Arnaldo Madureira, de um veículo de socorro a apoiar trabalhos em luminárias.



Fogachos 2: Parte de porta do Sr. Comandante

Memórias do Comandante Fernando Sá | Jornalista e Bombeiro Voluntário



Já não é muito usual - mercê da grande rede telefónica de Lisboa - os pedidos de socorro de incêndio serem feitos pessoalmente aos quartéis de bombeiros.

Hoje em cada canto existe um telefone e uma chamada rápida.

Mas houve tempos que chegavam, esbaforidos, aos quartéis, indivíduos que mal podiam articular palavra, pelo cansaço da corrida; há fogo…

Eram as chamadas "partes de porta".

Todavia ainda sucede. E sucedeu recentemente, tendo o caso - depois de passado - merecido sorrisos.

Foi quando se deu o fogo no Teatro Avenida. Nesse preciso momento o comandante Ernesto Costa, dos Voluntários de Lisboa, estava a jantar num restaurante fronteiro, no Parque Mayer.

As primeiras sirenes e o primeiro clamor alertaram-no e saiu à rua. Logo se lhe deparou o clarão.

Um táxi levou-o rapidamente ao seu quartel, onde reinava a tranquilidade. Tudo nos seus postos.

O comandante Ernesto Costa correu para a cabina telefónica e assinalava o acontecimento: há fogo no Teatro Avenida.

Nesse preciso momento a Central do Batalhão de Sapadores Bombeiros, dava a parte e mandava avançar todo o material, pois a 1.ª Secção, para a área respectiva, era de reforço.

Mas ficou firme: fogo no Teatro Avenida.

Parte de porta do sr. comandante!



Foto: Arquivo F&H
Rescaldo do incêndio que atingiu o Teatro Avenida, em 13 de Dezembro de 1967